“Engenharia naval portuguesa projecta e executa embarcação com especificidades únicas, para melhor servir a Marinha Portuguesa”

07-09-2020

Na passada segunda-feira, dia 7, foi testada a capacidade auto-endireitante de uma nova embarcação salva-vidas, totalmente concebida e construída em Portugal. Esta destina-se ao Instituto de Socorros a Náufragos, organismo da Marinha Portuguesa.

 A conceção deste tipo de embarcações, apesar do seu reduzido tamanho, com um pouco mais de 15 m de comprimento, reveste-se de elevada complexidade, sendo por muitos considerada “the most complex and technically dificult small boat in the world”. De facto, o projeto de engenharia que lhe deu origem assenta num processo longo e altamente iterativo, em virtude das variáveis em dimensionamento serem, em muitos casos, altamente contraditórias, dificultando a convergência numa solução tecnicamente viável.

A configuração destas embarcações foi pensada de forma a incorporar melhorias que resultaram de necessidades sentidas na operação continuada ao longo dos dez últimos anos dos Salva-vidas da classe “Vigilante”, também elas projetadas e construídas em Portugal. Entre estas, ressalta o aumento da velocidade máxima e a colocação de uma mota de água do tipo SAR (Search and Rescue) numa rampa localizada no painel de popa.

Para além dos aspetos referidos, releva ainda a forma inovadora da construção em compósitos avançados (resina epoxídica, espumas de PVC e fibra de vidro), totalmente feita através de um processo de infusão, sendo a maior embarcação que em Portugal foi obtida por este processo.

Esta metodologia, após uma preparação muito cuidada, através da criação de vácuo, permite a migração da resina por toda a estrutura, impregnando a totalidade dos tecidos e das espumas em poucas horas, conduzindo à produção de cascos de elevada qualidade com tempos de fabrico mais reduzidos, sendo particularmente adequada ao fabrico em série.

Os novos salva-vidas são certificados pela Lloyd´s Register of Shipping, sendo embarcações auto-endireitantes, ou seja com capacidade de voltar à posição direita, vertical, mesmo que totalmente invertidos. Dispõem de capacidade para recolher até doze náufragos. Podem atingir velocidades superiores a 30 nós e operar em mar com altura significativa de onda até 14 m.

Sendo virtualmente inafundáveis e capazes de se deslocar a elevadas velocidades, os novos salva-vidas de alta capacidade, são uma clara mais-valia para o Instituto de Socorros a Náufragos e para o País na luta pela salvaguarda da vida humana no mar. Constituem ainda mais um acontecimento muito relevante no que se refere à capacidade de conceção e construção da engenharia naval nacional.

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